Segunda, 27 de Março, 2017

Comissão Europeia suspende importação de carnes provenientes de empresas envolvidas no escândalo Carne Fraca

Bruxelas garantirá "que todas as empresas envolvidas na fraude estão impedidas de exportar para a UE", adiantando que a Comissão Europeia pediu aos Estados-membros para aumentarem os controlos sobre a carne vinda do Brasil.

Bruxelas - A Comissão Europeia garantiu, segunda-feira (20), que está a acompanhar a investigação a fraudes envolvendo produtos de origem animal e que todas as empresas envolvidas no escândalo Carne Fraca estão impedidas de exportar para a União Europeia (UE).

O escândalo envolve os maiores grupos brasileiros e mundiais de produção de carnes, como a JBF e a BRFoods, detentores de diversas marcas de produtos alimentares, que estão a publicitar, desde sexta-feira, nos maiores veículos de mídia do Brasil, que não têm práticas irregulares.

"A Comissão está informada sobre a investigação que decorre no Brasil e pediu, na sexta-feira, clarificações às autoridades brasileiras", disse o porta-voz do executivo comunitário para a saúde, Enrico Brívio, na conferência de imprensa diária, citado pela agência Lusa.

Bruxelas, adiantou, "garantirá que todas as empresas envolvidas na fraude estão impedidas de exportar para a UE", adiantando que a Comissão pediu aos Estados-membros para aumentarem os controlos sobre a carne vinda do Brasil.

Na sexta-feira a Polícia Federal brasileira começou a cumprir 309 mandados judiciais em seis Estados e no Distrito Federal, numa operação que investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e empresários do setor num esquema de facilitação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.

No domingo, o Presidente do Brasil, Michel Temer, garantiu que a carne brasileira é segura e que a organização que adulterava estes produtos já foi desmantelada e que se tratou de um caso "pontual".

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e o quarto no segmento de carne de porco, com as vendas externas destes três setores a representar no ano passado 7,2% desse comércio, na ordem dos 11,6 milhões de dólares (cerca de 3,5 milhões de euros).

Entre as práticas, foi comprovado o uso de químicos para melhorar o aspeto das carnes, a falsificação de etiquetas com a data de validade ou a inclusão de alimentos não adequados para consumo na elaboração de embutidos (enchidos).

Na sexta-feira (17), depois que a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, o governo anunciou o afastamento de 33 servidores suspeitos de envolvimento nas irregularidades investigadas.

A operação da Polícia Federal denunciou um esquema criminoso envolvendo empresários do agronegócio e fiscais agropecuários que facilitavam a emissão de certificados sanitários para alimentos inadequados para o consumo. De acordo com a PF, frigoríficos envolvidos nesse esquema criminoso "maquiavam" carnes vencidas e as reembalavam para conseguir vendê-las. As empresas subornavam fiscais do ministério para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização.

Os investigadores comprovaram o uso de químicos para melhorar a apresentação das carnes, a falsificação de etiquetas com a data de validade ou a inclusão de alimentos não adequados para consumo na elaboração de embutidos (enchidos).

Segundo a PF, o esquema envolvia servidores das superintendências regionais do Ministério da Agricultura nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás. Os investigadores informaram que eles atuavam diretamente para proteger grupos de empresários em detrimento do interesse público.

O caso levou o presidente Michel Temer a anunciar, domingo (19), mais rigor na fiscalização dos frigoríficos brasileiros e a determinar celeridade nas auditorias a serem feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema. O anúncio foi feito na presença de ministros de estado e cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira. 

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