Segunda, 27 de Março, 2017

Análise da revista Economist sugere que Angola importe petróleo refinado

A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a importação de petróleo refinado "pode ser uma estratégia economicamente mais salutar" para Angola do que enviar o petróleo recolhido no país para ser refinado no estrangeiro.

Luanda - A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a importação de petróleo refinado "pode ser uma estratégia economicamente mais salutar" para Angola do que enviar o petróleo recolhido no país para ser refinado no estrangeiro.

"Angola claramente precisa de reduzir a sua dependência de produtos petrolíferos importados, mas mandar o crude para o estrangeiro para ser refinado pode ser dispendioso e, apesar de dar ao país alguma garantia de segurança, cingir-se aos preços das importações, pode ser uma estratégia economicamente mais salutar", dizem os peritos da unidade de análise da revista britânica The Economist, publicada hoje, informa a agência Lusa.

Numa nota de análise ao despacho do ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos, com vista à contratação de uma empresa de consultoria que terá especificamente a missão de elaborar um "estudo de viabilidade técnico-económico de processamento de petróleo bruto angolano numa refinaria fora do país", os técnicos da Economist concordam que todas as opções devem ser exploradas.

Angola é o maior produtor de petróleo em África, mas a capacidade de refinação nacional é insuficiente, cingindo-se a atividade à refinaria de Luanda, o que obriga à importação de grande parte dos produtos refinados que consome.

A solução de recorrer a uma refinaria estrangeira tem sido defendida por alguns especialistas como hipótese mais acessível, face aos custos avultados de construção e manutenção de uma refinaria de raiz em Angola.

"Angola está compreensivelmente ansiosa por estudar todas as opções antes de se comprometer com projetos de construção de muitos milhares de milhões de dólares que podem vir a ser até mais caros de manter a longo prazo", dizem, apresentando dúvidas sobre a viabilidade económica de enviar o petróleo para ser refinado no estrangeiro.

As dúvidas dos técnicos, quer sobre o envio de petróleo para ser refinado para o estrangeiro, quer sobre a capacidade para a construção de refinarias em Angola, surgem na altura em que Angola aposta em estudar a viabilidade de refinar os cerca de 1,7 milhões de barris que bombeia diariamente, mas aprova ao mesmo tempo um despacho viabilizando o contrato de investimento privado dos grupos Rail Standard Service e Fortland Consulting Company, ambos da Rússia, com o objetivo de construir e operar uma refinaria petroquímica na província do Namibe.

Os investidores russos pretendem construir uma refinaria na província angolana do Namibe, um mega projeto que prevê ainda uma linha férrea a unir as centenárias linhas de Benguela e de Moçâmedes, num investimento global superior a 11 mil milhões de euros, noticiou esta semana a agência Lusa.

A notícia do investimento surge numa altura em que a construção da refinaria de Benguela foi suspensa pela estatal Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) e que o Governo está a reavaliar o projeto da refinaria no Soyo.

Angola importa mensalmente cerca 160 milhões de euros em combustíveis refinados, fornecimento que está a ser dificultado pela falta de divisas e pagamentos em atraso por parte da Sonangol.

Os dados constam de uma informação da própria Sonangol, que reconhecia na altura a "limitada" produção nacional de combustíveis refinados, que ronda apenas 20% do consumo total.

Além disso, recorda a empresa liderada por Isabel dos Santos, os custos incorridos são em dólares norte-americanos (compra no exterior) e as vendas realizadas em kwanzas no país, num cenário de crise financeira, económica e cambial que Angola atravessa.

Angola é o maior produtor de petróleo em África, com cerca de 1,7 milhões de barris de crude por dia, mas a atividade de refinação está concentrada na refinaria de Luanda.

Construída em 1955, aquela refinaria tem uma capacidade atual para tratar 65.000 barris de petróleo por dia, operando a cerca de 70% da sua capacidade e com custos de produção superior à gasolina e gasóleo importados, segundo um relatório sobre os subsídios do Estado angolano ao preço dos combustíveis, elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2014.

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