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Observador Lusófono – As Cidades Sustentáveis

A generalidade dos países de língua oficial portuguesa não escapa aos efeitos da crise. Alguns viram agravados esses efeitos em resultado da queda dos preços dos commodities, particularmente do petróleo, tendo de renegociar a estratégia económica seguida, procurando novos caminhos, pela via da diversificação.


Vítor Ramalho


 

Os indicadores económicos de Portugal, referentes ao último trimestre do ano passado, ultrapassaram positivamente as previsões, em particular no crescimento, na criação líquida de emprego e no défice.

Estes resultados não são indiferentes ao clima de distensão que passou a existir, estimulando a recriação da esperança e gerando mecanismos de maior confiança, em contraste com o quadro existente sob a governação anterior.

Só não vê quem não quer mesmo ver a importância que tem para a economia, a psicologia coletiva, ajudada pela reposição de direitos a salários e pensões que haviam sido cortados para além do razoável, numa defesa que ultrapassou em muito o memorando da Troika.

Naturalmente que houve outros fatores, inclusive da atual conjuntura externa que tem sempre um verso e um reverso. O reverso bafejou Portugal nos últimos anos, incrementando um forte crescimento do turismo em desfavor de países que experimentam conflitos internos e, por isso, deixaram de ser destinos atrativos.

A estabilidade política e social que se vive em Portugal tem sido essencial, facto a que não é alheia a solução governativa encontrada.

Sendo esta a realidade, é no mínimo estranho que a oposição, protagonizada pelos dois partidos que precederam a atual governação do PS, persistam em sustentar as mesmas políticas que praticaram enquanto estiveram no governo, insensíveis aos estudos de opinião e sondagens que as condenaram.

Os dois partidos – PSD e CDS – não levam em consideração as alterações verificadas na conjuntura mundial e os efeitos internos dela, inclusive as razões da mudança de avaliação sobre o governo à medida que a estabilidade se foi consolidando. Isto não é nada positivo para o país, que necessita de uma oposição que apresente soluções alternativas credíveis. É preciso uma oposição forte.

É que, independentemente dos resultados que o governo tem alcançado, nomeadamente no último trimestre de 2016, os objetivos a prosseguir pelo país envolvem a necessidade de um combate sério em múltiplas frentes, devendo ser assumido como um desígnio que a todos envolve.

Os recentes episódios que uma estação televisiva fez passar sob o título “O Assalto ao Castelo”, por pessoas que se intitulam empresários, bancários e banqueiros e políticos, estes transvertidos com outras vestes mas com propósitos a todos os títulos inaceitáveis e condenáveis, é elucidativo de comportamentos de enorme gravidade que devem e têm de ser penalizados. Cruzar a política com os negócios, como ocorreu, sob o mando destes, pode ferir de morte a democracia, se não houver – como deve haver – grande firmeza e consenso político-partidário.

É necessário regenerar a política neste novo ciclo que o mundo passou recentemente a experimentar – e que a eleição de Trump é mero exemplo – com uma visão que esteja para além da defesa do poder ou do desejo de o retomar.

Vítor Ramalho é secretário geral da UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e dirigente do Partido Socialista português

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