Sexta, 24 de Fevereiro, 2017

Paz na Colômbia depende de acesso à terra, diz Joseph Stiglitz

O Prêmio Nobel de Economia de 2001, o norte-americano Joseph Stiglitz, diz que para manter a paz na Colômbia é preciso garantir a distribuição da terra. A afirmação foi feita durante uma conversa em Bogotá com o presidente Juan Manuel Santos.
Joseph Stiglitz, Nobel de Economia

Bogotá - O Prêmio Nobel de Economia de 2001, o norte-americano Joseph Stiglitz, disse, quinta-feira (17), que para manter a paz na Colômbia é preciso garantir a distribuição da terra. A afirmação foi feita durante uma conversa em Bogotá com o presidente Juan Manuel Santos. A informação é da Agência France-Presse (AFP).

"A manutenção da paz exigirá que se garanta a terra e o emprego para os afetados" pelo conflito armado de mais de meio século, disse Stiglitz no fórum "O futuro da Colômbia: Justiça Social e Economia", do qual participou ao lado de Santos, ganhador do Nobel da Paz em 2016 por selar um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Stiglitz destacou que é preciso trabalhar para reduzir a desigualdade social, uma das causas do aparecimento de grupos rebeldes como as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN), que instalou há uma semana uma mesa de diálogo com o governo de Santos em Quito, capital do Equador. O norte-americano acrescentou que é "essencial ter boas instituições que tratem o tema da terra e sua distribuição, além de dar terras aos camponeses".

O problema da posse da terra é chave nas origens do conflito armado colombiano. No âmbito do acordo selado com as Farc em novembro passado há um ponto que propõe reformas no campo. "É necessário forte investimento no setor rural, que promova o desenvolvimento do campo", disse Stiglitz, para quem o acordo de paz traz "oportunidades e desafios impressionantes" que só serão bem aproveitados se servirem para ajudar a superar a iniquidade e a pobreza no país.

Neste sentido, segundo o Prêmio Nobel de Economia, é preciso, para a paz, garantir trabalho àqueles que estiveram envolvidos em um conflito que incluiu guerrilhas, paramilitares e agentes estatais e que deixou pelo menos 260 mil mortos, 60 mil desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados. ABr

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