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A meta é “abrir as portas da escola portuguesa em 2019”, promete ministro da Educação

O Brasil vai ganhar a primeira escola internacional portuguesa. O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou neste domingo, 11, decreto que cede ao governo de Portugal o terreno do Centro Educativo Regional Centro-Oeste, no bairro Sumaré, na cidade de São Paulo, onde hoje funciona uma diretoria administrativa da Secretaria de educação do Estado de São Paulo. “Abrir as portas da escola portuguesa em São Paulo, em 2019”, é a meta apontada pelo ministro da Educação de Portugal em declarações ao Portugal Digital.


Roseli Lopes


Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação de Portugal                                            Foto:Aeaa/Arq

O evento teve a participação do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro, Antonio Costa, e do ministro da Educação de Portugal, Tiago Brandão Rodrigues, além do cônsul geral de Portugal em São Paulo, Paulo Lourenço.

O foco da nova escola são os filhos de portugueses emigrantes que residem no Brasil e os descendentes de portugueses. Mas serão aceitos também interessados que não pertençam a esses dois grupos. O projeto da escola portuguesa prevê ainda um porcentual de ao menos 10% de vagas que serão destinadas a alunos carentes. A capacidade quanto ao número de alunos ainda não foi estabelecida.

A nova escola terá ensino infantil, fundamental e médio e todos os alunos terão diploma duplo, que garante acesso às instituições de ensino superior público e privadas em Portugal.

As obras necessárias para a implementação da escola, assim como a administração posterior serão de responsabilidade do governo português. “A partir de agora vamos começar a trabalhar em conjunto com as equipes técnicas para que possamos cumprir a meta desejada de abrir as portas da escola portuguesa em 2019”, disse o ministro da Educação de Portugal, Tiago Brandão, ao Portugal Digital.

Já a parte curricular será discutida e elaborada em conjunto entre os governos português e brasileiro. O certo é que o currículo será binacional. A escola será 100% digital.

“Para Portugal era fundamental ter este espaço no Brasil”, disse o ministro Tiago Brandão, completando que a escola portuguesa não será apenas uma escola de formação. “Ali também funcionará um Centro de Cultura da Língua Portuguesa”, diz. É que, além da escola, serão criados no espaço um centro de Formação Contínua de Professores e um centro de Língua Portuguesa e Cultura, voltado a professores, alunos e funcionários da rede estadual. Também em conjunto será feita a escolha dos professores, trabalho que, segundo o ministro, será equacionado pelas equipes técnicas bilaterais que trabalharão pelos próximos meses nesse projeto.

Para o Brasil, a parceria é interessante O secretário de educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini, diz que para o Brasil essa parceria vai permitir que esses estudantes tenham acesso facilitado ao mercado comum europeu uma vez que o diploma valerá em Portugal e em toda a comunidade europeia, não sendo necessária sua validação para os que quiserem estudar ou trabalhar lá. “Estamos agora devolvendo a Portugal um espaço onde, de 1941 a 1994, funcionou como escola de Portugal e que agora volta a funcionar novamente como tal. Hoje, no prédio funciona uma diretoria administrativa da Secretaria de Educação de São Paulo.

Para o primeiro ministro de Portugal, Antonio Costa, a assinatura do protocolo de intenções entre os dois governos para a instalação da escola portuguesa foi um dos momentos mais marcantes para Portugal dentro das comemorações do 10 de Junho, pois sinaliza o futuro das relações entre os dois países. “Já fizemos muito nos últimos anos, mas ter aqui uma escola portuguesa significa realizar um sonho de cinco décadas”, disse.

A escolha da cidade de São Paulo para a instalação da escola portuguesa levou em conta o grande número de portugueses e luso-brasileiros na capital paulista, segundo Paulo Lourenço, cônsul geral de Portugal em São Paulo. A cessão do prédio ao governo de Portugal será por 20 anos, podendo ser renovado. A escola no Brasil será a oitava que Portugal mantém espalhada pelo estrangeiro.

Os discursos de Marcelo e de Costa

“O território espiritual de Portugal é muito maior do que o território físico. E Portugal é grande por causa de seu território espiritual. É por causa desse território espiritual que Portugal tem o peso que tem no mundo. E boa parte desse peso é devido aos brasileiros”. Assim o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, ressaltou, no sábado, 10, a imensa relação de Portugal com o Brasil, com quem, neste ano, comemorou o Dia nacional.

No Teatro Municipal de São Paulo, em um discurso emocionado, a que chamou de ‘discurso do coração de Portugal”, Marcelo Rebelo lembrou que o dia de comemorações tinha 28 horas e não 24 porque as comemorações começaram cedo, ainda no Porto, para continuarem em São Paulo com o encontro dos brasileiros a quem chamou de “nossos irmãos”.

Marcelo falou da admiração pelo Brasil. “Não podemos esquecer as comunidades portuguesas pelo mundo afora, porque todos estão no nosso coração. Mas hoje está em nosso coração principalmente a comunidade que vive no Brasil. Lembrou a história de sua própria família, parte dela vivendo hoje no Brasil, lembrando sua ligação ainda mais estreita por isso com o país. E em um discurso que considerou ser “do coração de Portugal”, disse que o coração de Portugal quer abraçar o Brasil.

Marcelo Rebelo repetiu sua crença na potência do Brasil, dizendo que, mesmo antes de ser presidente da República sempre defendeu que o Brasil seria uma grande potência mundial e que hoje é uma potência mundial, uma potência econômica, cultural e política. Reafirmou a solidariedade de Portugal para com o Brasil, independentemente de sua política ou do quanto ela mude.

“Pode mudar a política, as sensibilidades, os tempos, mas o que nos une ao Brasil vai além disso, não muda, que é a nossa alma”. Além da imensa gratidão e admiração pelos brasileiros ao afirmar que Portugal é hoje o que é graças à contribuição de cada um dos brasileiros. Marcelo Rebelo voltou a falar sobre a crença no futuro do país, em sua economia e em seu futuro, independentemente deste momento atual de crise pelo qual o país passa.

Também em visita ao Brasil como parte das comemorações, o primeiro-ministro português, Antonio Costa, falou igualmente sobre as relações entre os dois países. Lembrou a importância das parcerias entre as duas nações indicando as ações que o governo português tem feito no Brasil. Sublinhou a promulgação, no domingo, 11, da regulamentação da lei da nacionalidade portuguesa, que, disse, vai agilizar e facilitar a possibilidade de todos os luso descendentes terem acesso à nacionalidade.

Costa também referiu como de extrema importância a participação de Portugal na reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, ao anunciar a assinatura, no domingo, 11, de acordo de cooperação entre o governo paulista e o Instituto Camões.

O acordo prevê apoio técnico para a recuperação, divulgação e intercâmbio de informações. O primeiro-ministro enfatizou que ações como essas estreitam cada vez mais os laços entre os dois países. E anunciou a assinatura, ontem (11), de protocolo com o governo do estado de São Paulo para a criação da primeira escola portuguesa no Brasil, pensando nos filhos de portugueses que residem no país e dos luso-brasileiros. Após os discursos, as comemorações do Dia de Portugal continuaram com a apresentação da fadista Gisele João.

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Escrito por: Portugal Digital

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