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Clubes

 

Foi em finais dos anos oitenta que tomei contacto com o que deve ter sido o primeiro clube de vinhos em Portugal. Chamava-se, exactamente, Clube do Vinho tendo a expressão latina “Vinus Vitae” (“O Vinho da Vida”) associada como marca. A sede ficava, salvo erro, na Mealhada e deve ter funcionado na órbita da empresa vinícola Caves Messias.

Pertencer a este clube exigia o pagamento de uma entrada (“jóia”), de valor elevado para a época, sendo as garrafas pagas em conjuntos de seis. Todas elas tinham rótulo próprio e ficha técnica, colecionável, cobrindo as várias regiões do País. Dos produtos que vendiam fiquei com dois na memória: os vinhos tintos da Fundação Abreu Callado (Benavila, Avis, no Alentejo), onde cheguei a ir depois comprar vinho, e os tintos de uma quinta de Alcafache (Mangualde, região do Dão), que pertencia nessa altura aos herdeiros de uma figura militar do Estado Novo, general Santos Costa. Eram dois belos tintos.

Julgo que a primeira vez que fui à procura da quinta, numa das visitas ao Dão da pequena confraria formada por mim e por mais dois grandes amigos, não a encontrei. Ou, se demos com ela, não havia vinho para vender. Na segunda, há poucos anos, demos com a quinta mas a informação que obtivemos no local foi a de que as uvas eram vendidas para as Caves Messias e o vinho era depois comercializado com o nome de Quinta do Penedo. Nunca o vi à venda no mercado normal.

Deste clube “Vinus Vitae” parecem restar garrafas avulsas que vão aparecendo em leilões. Não durou muito, penso eu, e quando desisti, por falta de interesse, não consegui recuperar a “jóia”.´

Hoje em dia é fácil encontrar um clube de vinho a anunciar os seus produtos e o Google lista vários. Mas uma visita rápida não revela um panorama interessante. Parecem tratar-se mais de lojas “on line” e os produtos que anunciam não têm informações indispensáveis. E quase não se encontram vinhos exclusivos, ou desconhecidos.

Mas a situação talvez não favoreça este tipo de empresas. Parece ser relativamente fácil comprar vinhos à distância em produtores (mas a Fundação Abreu Callado não, já agora), em supermercados e em garrafeiras. O comércio das bebidas alcoólicas diversificou-se e se pode ser difícil encontrar garrafeiras em todas as cidades, já os supermercados vão disponho de leques de ofertas muito diversificadas. E variadas: nos diversos supermercados que existem na capital do concelho onde resido, Caldas da Rainha, os quatro maiores supermercados têm todos ofertas muito diferenciadas.

O espírito dos clubes de vinho (ofertas mais ou menos exclusivas com preços um pouco abaixo do mercado) ainda está presente, em certa medida, numa empresa do Porto, com loja e venda do público, com a denominação Enoteca. A associação é livre mas há um pagamento de uma quota anual (com duas modalidades) que é normalmente devolvida em oferta, e a aquisição de duas caixas de vinho é mais ou menos obrigatória por trimestre. A entrega é ao domicílio e, dependendo da transportadora, funciona bem.

Com predominância de vinhos do Alentejo e do Douro, o que reflecte a tendência actual do mercado, a Enoteca tem um leque assinalável de vinhos, com “literatura” a acompanhar e está muito ligada a um conjunto de produtores e enólogos. Fiz-me sócio e não tenho tido muita dificuldade em escolher (mas há riscos que não corro) mas gostava de ver outras regiões mais contempladas, nomeadamente o Dão e a Bairrada.

 DIGESTIVO

Não há só vinhos da casta Alvarinho no Portugal dos vinhos verdes. Em Espanha, mesmo ao lado, a casta Alvarinho é a Albariño. Esta desfeita é às vezes compensada, como agora aconteceu com o Alvarinho Deu La Deu Reserva 2015 (da Adega Cooperativa de Monção), que conquistou  a medalha “Gran Albariño de Oro”, no VI Concurso Internacional Albariños al Mundo Dublin 2017, tendo sido o único Alvarinho produzido em Portugal a merecer esta distinção entre os melhores alvarinhos do mundo, em concurso naquele certame. A competição, que decorreu em Dublin, no dia 23 de Novembro, distinguiu ainda o Alvarinho Deu La Deu Premium 2015 com a medalha Albariño de Oro.

 * Pedro Garcia Rosado é um escritor e tradutor português. Pode acompanhá-lo aqui: pedrogarciarosado.blogspot.pt

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Escrito por: Portugal Digital

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