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Intermarché by Venâncio da Costa Lima

Do conjunto de vinhos de marca branca, os que mais me atraem são os da Península de Setúbal do Intermarché, saídos da empresa Venâncio da Costa Lima, da Quinta do Anjo (Palmela).


O vinho também tem marcas brancas e, dos grandes supermercados portugueses, só uma das cadeias é que não tem marcas próprias de vinhos. São estas as que vulgarmente se designa por marcas brancas e que, em geral, omitem a identificação do produtor.

Julgo que terá a ver com reservas dos próprios fabricantes, que não querem ter o produto que vendem diretamente aos grandes retalhistas lado a lado com o mesmo produto com a sua própria marca, com um preço de venda ao público que pode ser o dobro do produto “branco”.

No caso do vinho, pelo menos na maior parte dos casos, as marcas brancas têm nome próprio. É uma situação curiosa por permitir ao consumidor explorar as suas próprias preferências ou, provando pela primeira vez, ganhar dúvidas ou certezas sobre um determinado vinho.

Por outro lado, também revela um pormenor que, pelo menos a mim, me suscita algumas dúvidas. No caso dos vinhos do Dão vendidos como marcas brancas pelo Continente, pelo Intermarché e pelo Pingo Doce, verifica-se que os dois primeiros são abastecidos pela empresa União Comercial das Beiras e o segundo pela Global Wines, ambas por coincidência localizadas em Carregal do Sal. E quase sugere que há milagre na multiplicação das uvas porque as duas comercializam uma quantidade impressionante de vinho que parece difícil vir só de vinhas próprias. Não os consumo.

Do conjunto de vinhos de marca branca, os que mais me atraem são os da Península de Setúbal do Intermarché, saídos da empresa Venâncio da Costa Lima, da Quinta do Anjo (Palmela), e, pelo menos desde 2013, nos tintos, sempre de grande qualidade e com uma imensa coerência de sabores.

Os de 2013 e de 2014 foram feitos com as castas Castelão e Aragonez e o de 2013 continua a ganhar vantagem sobre o do ano seguinte. Mas são ambos, em toda a sua plenitude, representantes formidáveis dos vinhos da Península de Setúbal. Tal como os que lhes sucedem.

O tinto de 2015, sem a designação de “Vinhas da Rainha” e com a referência “Selecção de Enófilos”, não indica as castas mas as suas caraterísticas estão bem preservadas. Terão Castelão e Aragonez, decerto, mas também devem ter outras. É um vinho de lote de bons sabores e aromas e, como os anteriores, a preço mais do que convidativo (cerca de 2€, ou seja, cerca de 8,50 reais).

Acompanhando estes vinhos comercializados como “marca” do Intermarché, há ainda um quarto tinto com a mesma origem e de grande qualidade. Tem o nome de Pioneiro, colheita de 2015, e é feito com as castas Castelão, Aragonez e Syrah. Talvez devido à presença da Syrah, felizmente controlada, o Pioneiro tem um sabor mais requintado e robusto, pleno de vida, mas, ao mesmo tempo, mais fresco. O que é tanto mais interessante porque não precisa de saber a baunilha para seduzir os públicos que gostam desse tipo de vinho e pode, com isso, ganhar os favores de quem aprecie tintos mais suaves.

Qualquer um deles é muito bom e, tendo já desaparecido do mercado os dois primeiros, são uma excelemte compra para o futuro. A sua longevidade até pode ser uma pequena surpresa.

Digestivo

Num outro patamar de preço, mas apesar disso sempre superior a muitos outros da Península de Setúbal, está o 4.ª Geração, também da empresa Venâncio da Costa Lima. Tem só Castelão e Syrah e, assinalando o carácter de gerações que têm mantido a empresa, é um excelente exemplo da qualidade dos vinhos da Quinta do Anjo e, muito possivelmente, do melhor que há em Palmela.

* Pedro Garcia Rosado é um escritor e tradutor português. Pode acompanhá-lo aqui: pedrogarciarosado.blogspot.pt

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