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Mais emoções no ano eleitoral

 

Já que está preso e cercado  pelas regras jurídicas, o que está acontecendo com Lula não poderia ser melhor pra ele. Movimentos, fatos e factoides ocupam todos os dias redes sociais, pautas dos meios de comunicações, fake news, true News fazem dele a figura mais viva e ativa da política brasileira. Ou seja, se alguém pensou que dava pra isolar Lula, deu um tremendo tiro no pé e está num beco com saída, para onde eles não queriam.


Antonio Achilis


Desde que foi preso Lula só fez crescer, como sói acontecer com os mártires. Se antes calculava-se que a fortuna política dele era fixada em, no máximo,  30 por cento do eleitorado, os dados que estão sob reserva das boas pesquisas devem contar outra história. Desconfio.

Desde já o jogo político está estressado e ansioso por saber quem Lula vai apoiar, caso não consiga ser candidato, certificando a presença do prisioneiro no processo. E se perder o jogo, o que parece mais provável, teremos então um presidente enroscado numa armadilha parecida com a do Temer – em si uma desgraça histórica e irrecuperável. É possível, mas muito difícil, enxergar um presidente fora da tribo à esquerda, que seja capaz de conseguir um ambiente para normalizar e civilizar a prática política no Brasil. Ou seja, ter o PT na oposição faz mal, muito mal, como sabe o Temer. Precisamos nos livrar da armadilha que nos levou às tantas trincheiras paranoicas, em que tudo o que está do outro lado tá errado e vice-versa.

O próximo presidente se viabilizará se conseguir uma relação civilizada e racional com as diferentes tribos que enriquecem nossa fauna. Caso contrário entraremos num túnel de trem-fantasma com um susto atrás do outro, que a nossa sociedade não suportará. Por algum meio, uma  das atuais vai fazer negócios tenebrosos e vai se impor, com apoio popular. Nós já vimos isso e foi péssimo.

A meu ver, mexer com Lula é mexer com a história e é o que está acontecendo.  Luiz Inácio é quem poderia estabelecer um ambiente político próximo do civilizado, apesar dos devotos fanáticos, se não estivesse tão enredado nos seus acontecimentos. Mesmo diante das multidões na avenida Paulista ou em São Bernardo do Campo, Lula nunca disse algo que inviabilizasse essa sua condição de interlocutor.

Como estamos tratando de mexer com a história, penso também na hipótese de Temer, aos 78 anos, cuidar de entrar para a história com mais uma marca além dessa lambança que está fazendo. Para isso, ele que foi professor de Direito Constitucional e Doutor em Direito Público, deve estar lendo com atenção o breve inciso XII do artigo 84 da Constituição Federal e seus desdobramentos. Quem sabe ele vai encontrar por ali a janela do indulto para livrar a si mesmo e a tantos poderosos presos, inclusive Lula. Pode ser a ocupação dele para o último dia útil de mandato.

Antonio Achilis, jornalista, vive em Belo Horizonte

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Escrito por: Portugal Digital

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