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Número de migrantes mortos e desaparecidos duplica na rota das Ilhas Canárias – OIM

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A Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelou que 785 pessoas morreram ou desapareceram este ano na rota marítima da costa da África Ocidental rumo às Ilhas Canárias (Espanha).

Portugal Digital com Onu News


Foto: Acnur/Markel Redondo

A OIM, registrou 785 pessoas mortas ou desaparecidas enquanto tentavam chegar às Ilhas Canárias usando a rota da costa da África Ocidental.

A agência revela extrema preocupação com o aumento acentuado de migrantes envolvidos nas viagens, porque “duplicaram os números de mortes em comparação com o mesmo período do ano passado”.

O Projeto de Migrantes Desaparecidos, da OIM, destaca que 177 mulheres e 50 crianças fazem parte das vítimas. Agosto foi o mês mais letal com 379 perdas documentadas, ou quase metade do total de mortes registradas neste ano.


Ilhas Canárias registraram uma alta de 140% de chegadas nos primeiros oito meses de 2021

Acnur/Komi Mensah

De acordo com o diretor do Centro Global de Análise de Dados da agência, Frank Laczko, o número real de vidas perdidas no mar “pode ser muito maior” do que os dados oficiais.

Em 2020, pelo menos 850 mortes de migrantes aconteceram nesta rota marítima tida como a mais perigosa para chegar à Europa. Foi o maior número em um ano, desde que a agência começou a coletar dados em 2014.

Os chamados naufrágios invisíveis, nos quais não há sobreviventes, são frequentes nesta via. Estes incidentes são quase impossíveis de verificar e “mesmo quando os barcos dão sinal de perigo é difícil determinar o número de mortos”.

As Ilhas Canárias registraram uma alta de 140% de chegadas nos primeiros oito meses de 2021 com 9.386 novos migrantes.

A agência recolheu depoimentos de sobreviventes indicando um maior risco de morte nessas jornadas. Um deles escapou de um navio transportando 54 pessoas, que esteve duas semanas à deriva antes de naufragar perto da costa da Mauritânia.

No episódio ocorrido em meados de agosto, uma avaria no motor deixou o grupo durante três dias isolado no mar sem comida e água. Com pessoas já começando a morrer, os corpos foram lançados à água para diminuir o peso do barco e evitar mais perdas.

De acordo com o sobrevivente, várias pessoas ficaram fora de si e “às vezes se mordiam, gritavam e se jogavam no mar.”

Relatos similares destacam corpos aparecendo ao longo da costa atlântica da África Ocidental ou sendo frequentemente recolhidos em redes de arrasto dos navios de pesca, o que indicia que acontecem mais “naufrágios de navios invisíveis”.

A ONG espanhola Caminando Fronteras estima que 36 barcos desapareceram sem deixar rasto na rota para as Ilhas Canárias no primeiro semestre de 2021.

Para Laczko, sem esforços conjuntos para recuperar os migrantes nesta, e em todas as outras rotas, haverá centenas de famílias perdendo integrantes.

São questões como conflitos e pobreza, agravados pelas medidas para conter a pandemia e a limitação de canais para migração regular, que continuam levando as pessoas a partir para as perigosas viagens no mar.

Laczko defende que o fim de mortes em todas as rotas de migração marítima para a Europa requer uma resposta abrangente, boas capacidades de busca e resgate lideradas pelo Estado e caminhos para uma migração segura, ordenada e regular.


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