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Paula Rego “muito triste” com morte do “amigo Jorge Sampaio”

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A pintora portuguesa Paula Rego, radicada no Reino Unido, manifestou-se “muito triste” pela morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, com quem manteve uma relação pessoal há cerca de 50 anos e do qual pintou um retrato oficial.


Portugal Digital com Lusa


Foto: Lusa/Arq


“Adeus querido amigo”, escreveu a artista na rede social Instagram, após serem conhecidas as notícias da morte de Sampaio, ocorrida na manhã de sexta-feira, acompanhando com uma fotografia dos dois datada de 2002 e com dedicatória do então chefe de Estado à “querida amiga”.

Em declarações à agência Lusa, Paula Rego disse estar “muito, muito triste”, recordando que a amizade remonta a antes do 25 de Abril, quando Sampaio foi seu advogado e a ajudou “durante uns tempos difíceis”. “Eu admirava-o muitíssimo e ele vai fazer muita falta”, acrescentou.

Jorge Sampaio condecorou a artista com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal em 2004, mas a admiração pelo seu trabalho era anterior.

Foi numa visita oficial ao Reino Unido, em 2002, que Jorge Sampaio desafiou Paula Rego a pintar obras evocativas da vida da Virgem para serem expostas na capela do Palácio de Belém, que estava a ser restaurada.

A artista hesitou, mas acabou por aceitar e o resultado foram oito pastéis a óleo sobre o “Ciclo da Vida da Virgem Maria”, oferecidos ao Estado português em 2003 e colocados na capela.

Em 2005, Sampaio fez uma nova encomenda à artista residente no Reino Unido para que pintasse o seu retrato oficial, o primeiro da galeria dos ex-Presidentes a ser realizado por uma mulher.

A artista acabou por produzir três versões, apresentadas em 2006.

“Pintar o presidente de Portugal, Jorge Sampaio, quase me matou”, confiou, num texto publicado pelo jornal The Guardian em 2018, a propósito da interferência frequente dos colaboradores do chefe de Estado.

“Era muito difícil. As pessoas não paravam de entrar e comentar ‘esse braço não está bem’, ou, ‘o nariz dele não é assim’. No final, eu disse: ‘Talvez devêssemos ir para outro lado’. Fomos para uma sala cheia de armários de vidro e trabalhei muito arduamente”, relatou.

A proximidade manteve-se mesmo depois de Sampaio deixar funções, tendo Paula Rego doado em 2015 uma gravura para angariar fundos para a Plataforma Global de Assistência a Estudantes Sírios.

Na altura, Sampaio manifestou a sua admiração pela artista, que descreveu como “uma criadora inesgotável, transbordante, e sempre disposta a partilhar ideias e apoiar causas sociais”.

“É uma artista com um humor magnífico, de gargalhadas súbitas, grande inteligência e enorme candura. O seu olhar vê para além das aparências”, declarou.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu ontem aos 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao regime fascista e colonialista português, tendo, como advogado, defendido presos políticos durante a ditadura.

Jorge Sampaio foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

Após dois mandatos para Presidente da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e, entre 2007 e 2013, foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.


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Escrito por: Portugal Digital